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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Fluminense

Treino do Fluminense em Mangaratiba - Abel (Foto: Paulo Sergio)

Abel Braga, em quase 40 minutos de conversa, sorriu pouco e falou muito. O mais importante: falou o que pensa. Antes mesmo de o gravador ser ligado, reclamou da reportagem do treino secreto, feita pelo Fute News ano passado. Depois, pediu para que a entrevista começasse o quanto antes. Parecia estar com pressa, mas falou de família, carreira, Fluminense e até sobre a máfia de Marselha, cidade ao Sul da França.

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: Abel, dizem que seu pai era tão protetor que brigava com quem lhe xingava nos jogos, nos seus tempos de zagueiro. Você puxou a ele?
Abel Braga: Eu sou o patriarca da minha família. Meu pai fazia isso, mas não faço igual, não tem nada a ver. Até porque, na época dele, se resolviam as coisas no braço. Hoje em dia é na base do tiro (risos). Como não ando armado e nem com colete à prova de balas, prefiro ser mais calmo.

: E como é você como pai?
AB: Procuro educar, mostrar o certo e o errado, dizer não, dificultar as coisas porque eu não tive nada fácil com meu pai. Tenho dois filhos maravilhosos, uma esposa sensacional. Ela agora sofre duplamente, com o marido e o filho no futebol. É complicado.

: Ela já ligou para você para saber do Fábio?
AB: Sim, outro dia, ela perguntou como o Fábio estava indo aqui. Eu respondi: “Não sei, ele não fala comigo” (risos). Eu tentei falar com ele, perguntei como ele estava se sentindo, ele respondeu, todo tímido: “Estou bem”. Ele deve estar estranhando essa situação. Vamos dar tempo para ele.

: Você teve de sair do Flu para ganhar espaço para jogar. Você falaria isso para o seu filho?

AB: Se precisar, vou falar como já falei para dois ou três jogadores aqui. Eu fiquei quatro anos na reserva do Fluminense. No último ano, contrataram o Carlos Alberto Torres para jogar de zagueiro. Pensei: está na hora de ir embora (risos). Eu sofri, mas fui atrás do meu espaço. Com ele vai ser assim. Espero, como pai, que ele sofra menos do que eu na carreira.

LNET!: Como treinador, o que mais lhe motiva no Fluminense?

AB: Vencer a Libertadores pelo Fluminense seria fantástico, seria um sonho para mim. Não é um título que falta para a minha carreira, mas é um título que falta para o clube. Flamengo e Vasco já venceram, é a vez de o Flu levar também. Eu quero muito, o Inter foi o último brasileiro campeão mundial de clubes e meu nome está la. Isso é muito bom. Quero viver de novo o clima que antecede um Mundial. Não vai ser fácil, mas somos respeitados. Estamos fortes.

!: Não é um pouco frustrante levar a Libertadores e saber que pode pegar o Barcelona depois?

AB: Não vejo problema. Só de vencer a Libertadores e ir ao Mundial, já está bom demais. Vi pessoas criticando o Santos, mas não tem nada disso. Eles fizeram o que dava para ser feito. A verdade é que o Barcelona em um dia normal é, praticamente, eu diria que é impossível vencê-lo. Esse time do Barça é mágico. Parece videogame.

: E a Seleção Brasileira, o que tem achado? Você já teve vontade de comandar a equipe do Brasil?

AB: A CBF precisa dar condição ao Mano de testar o time. Não vai ser contra Egito e Gabão que a Seleção vai crescer. Se perder, perdeu! Eu quero é ganhar daqui a dois anos. Nunca pensei em comandar a Seleção. Queria mesmo era ir para um clube de fora. Treinar o Olympique foi fantástico, a cidade respira futebol. Sabe aquelas histórias de que lá tem mafioso? É isso mesmo, tem mafioso em Marselha e você acaba convivendo com eles normalmente.

: Mas alguma vez houve contato, alguma sondagem?AB: Quando teve o problema de Muricy e Mano na Seleção, chegaram a me sondar, nada oficial. Estou satisfeito, trabalho no clube que gosto. Com a Libertadores e o Mundial, sinto que estou no patamar dos que estavam acima. Estou feliz onde estou.




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