O consultor esportivo Fernando Ferreira fez uma pesquisa sobre o assunto e tem certeza que isso é só o começo. Segundo ele, na Europa, a presença de estrangeiros chega a 40%. No Brasil, está chegando em 5%.
Economia brasileira em alta
O real está valorizado em relação às outras moedas sul-americanas, isso gera boa oportunidade para os dois lados. Para o clube brasileiro, é a oportunidade de pagar menos, e para o jogador estrangeiro, a chance de ganhar mais.
- Nós estamos mais próximos dos salários europeus do que os latinos dos salários brasileiros. Alguns jogadores chegam ao Brasil ganhando quase o dobro e chega a custar um terço do que ganha um jogador brasileiro.
- A economia está bem. Em nível sul-americano, é a melhor para você jogar - garante Valdívia, do Palmeiras.
Um mapa da América do Sul também explica essa invasão de ‘hermanos’ no país. Há pouco tempo, o argentino D’Alessandro rejeitou uma proposta milionária do futebol chinês. Ele optou permanecer no Internacional, recebeu um aumento de salário, mas a identificação com a torcida e a proximidade da família também pesaram na decisão.
D’Alessandro, Montillo, Valdívia são exemplos recentes de estrangeiros que encantaram a torcida verde e amarela. Aparecer bem no Brasil, é aparecer pro mundo.
- O futebol brasileiro é o melhor de todos. Você vê nas pesquisas, o futebol brasileiro é o terceiro, quarto do mundo – diz Valdivia.
Razões esportivas, geográficas e econômicas
Se o Brasil ainda quer ser uma superpotência econômica mundial, na América do Sul já é. O país responde por quase metade do que é produzido de riqueza do continente.
- A taxa de crescimento brasileira não foi a mais alta do grupo. Uruguai e Argentina tiveram taxa de crescimento mais alta que o Brasil. E mesmo assim o crescimento do mercado em futebol no Brasil é absurdo – disse o economista Mauro Rodrigues.
A economia dos países é outro fator que determina o investimento dos clubes. O Fluminense é um exemplo, investe por mês R$ 7 milhões em salários, já o poderoso Boca Juniors, da Argentina, não chega a R$ 3 milhões de investimento.
A diferença de orçamento se deve à economia aquecida, mas principalmente à população continental brasileira. No Brasil são 190 milhões de pessoas. Na argentina, são pouco mais de 40 milhões. Uma população quase cinco vezes menor.
- Você chega a ter torcidas no Brasil com até dez milhões de pessoas. Portugal e Grécia tem esse tamanho de população. Nossos vizinhos não ficam atrás. Então em nenhum lugar da América do Sul existe um mercado desses - explica Mauro.
Clubes brasileiros na Libertadores
E pros clubes brasileiros, ter estrangeiros pode ajudar. Principalmente na Libertadores da América. O Internacional tem um meio campo completo de argentinos: Bolatti, Guinazu, Dátolo e D’Alessandro. O Flamengo tem dois estrangeiros. O Fluminense e o Santos, também dois. O Corinthians tem um gringo, e o Vasco tinha um, e agora contratou mais dois.
- Isso já virou uma realidade. A tendência é aumentar – disse o pesquisador Fernando Ferreira.
É com este espírito portenho, que os clubes daqui tentarão manter uma escrita dos últimos sete anos: pelo menos um time do Brasil pode chegar a final da competição sul-americana nessa edição. E quando vence, a festa é brasileira, mesmo que com sotaque espanhol.
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