Será que os temores do comandante têm validade? É o que Goal.com procura compreender, ao analisar a situação da equipe do Morumbi e dos demais grandes paulistas.
"O São Paulo está querendo mudar maneiras do ano passado. Contratou jogadores definidos e apostas para definir. Isso implica que não temos time montado. Os outros times mantiveram a base. Nós mudamos a base e, além disso, perdemos o ponto e contraponto, que são o Rogério e Luis Fabiano"
- Émerson Leão
As peças novas
Os principais clubes do estado trouxeram pelo menos uma cara nova para a disputa da temporada que se inicia. Ninguém, contudo, apresentou tantos reforços como o Tricolor paulista: Bruno Cortês, Maicon, Paulo Miranda, Édson Silva, Fabrício, Jádson e Osvaldo.
Enquanto algumas peças chegam com o intuito de compor grupo, outras repõem saídas importantes, como Dagoberto, Xandão e Marlos. As conversas por Nilmar, que chegaram em um estágio avançado, mas não fracassaram, mostram que a diretoria está disposta em promover o renascimento do clube de maneira acelerada.
Nos outros campos, houve mais negócios de ocasião ou apostas pontuais. O Corinthians trouxe Douglas e Élton, jogadores que atuam em setores já bem servidos no Parque São Jorge, além de Vítor Júnior, Gilsinho e o zagueiro Felipe, que ainda terão de provar seu valor.
O Peixe trouxe o uruguaio Fucile que, apesar da qualidade, é pouco para quem deseja levantar mais uma Libertadores, enquanto o Palmeiras teve um desempenho melhor no mercado: Daniel Carvalho, Barcos, Román e Juninho.
Elencos suficientes?
Em uma temporada repleta de compromissos como a brasileira, um grupo com alternativas é fundamental. Justamente por sua política agressiva de contratações, o São Paulo mais uma vez tem o trunfo sobre os demais paulistas. Poucos clubes conseguem ter dois ou até três jogadores de qualidade para a mesma posição, como ocorre com os zagueiros (P. Miranda, E. Silva, Rhodolfo e J. Filipe), laterais-esquerdos (Cortês e Juan), volantes (Wellington, Casemiro, Denílson e Fabrício) e meias (Jádson, Lucas, Cícero e Maicon) tricolores. O que não evita preocupações na lateral-direita, que conta apenas com o instável Iván Piris.
Enquanto isso, no Santos, por exemplo, a dependência de Neymar e Ganso ficou clara a partir da segunda metade do ano anterior, quando outros setores, como a defesa e a intermediária, não correspondiam à altura. Os alviverdes, hoje, tem um elenco superior ao de 2011, mas ainda tem um ataque pouco convincente para quem pretende retomar o protagonismo de anos anteriores.
Já no campeão brasileiro, houve a preocupação acertada com a chegada de peças de reposição para setores pontuais, como a zaga e o ataque, em detrimento de outros, o que pode fazer falta em certo ponto. Alessandro, Fábio Santos, Ralf e Paulinho são jogadores de qualidade superior ao que existe no grupo corintiano.
Ideias à beira do gramado
Entre os treinadores que comandam os quatro grandes de São Paulo, Leão é o que deve ter mais dificuldades em imprimir sua marca na equipe. Não apenas pelo entrosamento entre os jogadores, mas a própria fartura de atletas no elenco pode significar um revés, à medida em que testar alternativas em demasia pode retardar a assimilação das ideias do treinador por parte dos atletas.
Ao mesmo tempo, o técnico são-paulino precisou refazer seus conceitos em duas oportunidades em menos de um ano: quando assumiu a equipe em 2011, e com os novos reforços de 2012.
Aí, quem sabe, está o trunfo dos rivais: Tite, Muricy e Felipão, por terem mantido as bases de seus elencos, e pelo tempo em que estão em seus clubes, terão bem menos complicações para encontrar a formação ideal, isto é, se é que já não estão certos daquilo que esperam de suas equipes.
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